Veio do pano lá do serrado
Cabelo cacheado feito de trapo
Rosto maltratado pelo relógio
Sentimento gasto pelo tempo
Novelos jogados ao vento
E um lugar maltrapilho pra chorar
Molhou a retina
Sujou a água cristalina
Secou o mar pra virar sertão
Vendeu as flores das chitas
Por perder seu coração
E rasgou o tecido da pele
Revelou suas emendas
Desfez o laço vermelho de cetim
Depois embaraçou a lã do carretel
Despediu-se de seu belo corcel
Rasgou sua renda importada
Parou de querer amar
De tentar se encontrar
E isolou-se num velho baú de madeira de lei
Cobriu-se com veludo, feito esposa de rei
Dormiu durante toda a vida
Fantasiando como quem sonha.
que sentimento forte esse texto me dá! Isso tem que virar música, uma peça, um filme! Você é incrível, sem mais!
ResponderExcluirLindo poema, uma fantasia gostosa de ler e sonhar. Acácio, não conheço você, mas tem uma energia fantástica!
ResponderExcluirQue bom que te conheço antes de ficar famoso.
ResponderExcluirVc é um grande artista,poeta e ...etc
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirÉ com profundo sentimentalismo que leio esse texto. Aqui tu colocas de forma poética duas coisas as quais eu penso que entendo e colocas isso tudo com pura maestria: sentimentos e texturas de tecidos. Muito bom, muito lindo.
ResponderExcluirAchei lindo isso aí!
ResponderExcluirWow, muito lindo seu poema aí! Você é o poeta do tempo, o poeta dos relógios! Adorei essa cantinho aqui.
ResponderExcluirMuito obrigado, pelas palavras todas aí! Fico felizão! E ser chamado de poeta do tempo foi lindo isso aí!
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